Título: O morro dos ventos uivantes 
Autora: Emily Bronte
Ano: 2012 / Páginas: 183
Editora: Landmark
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Essa história não é para qualquer um, é aquela do tipo ‘ame ou odeie’. É um clássico mundial, ou seja, eternizado como uma obra atemporal. Antes de começar a resenha, quero esclarecer algo: não é um romance romântico (como vários pensam e eu pensava assim), é classificado como romance, pois na literatura, romance apresenta uma narrativa complexa, pois não dispõe apenas de um núcleo, mas várias tramas que se desencadeiam no decorrer da narração da história principal. Com um corte mais amplo da vida, com personagens e situações mais densas e complexas, com passagem mais lenta do tempo.

Explicações à parte, prosseguimos:

A história toda é pela perspectiva do Sr. Lockwood, o inquilino novo da Granja dos Tordos. Ele conhece o dono da fazenda, Heathcliff, e os moradores da casa principal chamada de O morro dos ventos uivantes. Sua curiosidade aumenta quando percebe que as pessoas ali não possuíram uma vida fácil e comum. Intrigado, Lockwood retorna a Granja e conhece a adorável governanta Sra. Ellen Dean e demonstra seu interesse em compreender o que se passa ali. Assim, Ellen começa a contar a história para ele, tudo que vivenciou e sabe sobre estas pessoas em todos os anos trabalhados.

O morro dos ventos uivantes é uma propriedade, que já foi pertencente ao Sr. Earnshaw, pai de Hindley e Catherine. Ele acabou adotando Heathcliff, um menino inocente com uma aparência cigana e que não possuía ninguém no mundo, que tornou-se o seu protegido. Sr. Earnshaw foi um pai muito relapso, que deixou a criação dos filhos por conta de Ellen Dean (ou como as crianças a chamam: Nelly). Hindley, cresceu com espírito amargurado, por não ter sido o preferido do pai. Já, Catherine, cresce inseparável de seu irmão postiço, Heathcliff. E este, por não ter tido a mesma criação dos irmãos, se desenvolve naquele meio sendo rejeitado e maltratado por todos, considerado um garoto indomável e selvagem. Esse tratamento que dão a ele, desperta pena e compaixão em nós leitores.

– Por que você não pode ser sempre uma boa menina, Cathy?

E ela virou o rosto para ele, rindo, e respondeu:

-Por que não pode ser sempre um bom homem, pai?

A amizade de Heathcliff e Catherine aumenta e eles passam a nutrir um amor que abalará suas vidas para sempre! Assim que senhor Earnshaw falece, Hindley passa a tratar Heathcliff como verdadeiro empregado, pois sempre teve essa aversão pelo mesmo.

E quem vai nos separar, não me dirás? Não enquanto eu for viva, Ellen… nenhum mortal vai conseguir isso. Mais depressa sumiriam da face da Terra todos os Linton do que eu permitiria separar-me do Heathcliff

Entretanto, ouvindo uma conversa que não deveria ouvir (e que o deprecia) faz com que Heathcliff fuja, abandonando a fazenda. Certo tempo depois, ela decide se casar com seu vizinho Edgar Linton e passa morar na Granja dos Tordos, junto também de sua cunhada Isabella Linton. Decorridos três anos, Heathcliff aparece na Granja completamente mudado: agora é um homem mais educado e, de alguma forma, está bem financeiramente. Queria Catherine, mas ela já está casada, o que lhe causa ainda mais raiva. Agora, completamente amargurado e revoltado com a vida, nasce nele um espírito vingativo, pronto para se vingar de todos que algum dia lhe fizeram mal, pronto para acabar com a paz. 

Não acredites numa só palavra que ele diz. Ele não é um ser humano. É uma criatura maquiavélica e mentirosa, um autêntico monstro.
Qualquer que seja a substância das almas, a minha e a dele são feitas da mesma coisa

O amor que existe entre os protagonistas Catherine e Heathcliff começa com uma bela amizade mas vai se estendendo a algo perturbador. É um amor intenso, verdadeiro, incondicional, mas passa a ser doentio e letal.

Beija-me e não me deixes ver os teus olhos! Perdoo-te o mal que me fizeste. Eu amo quem me mata. Mas… como poderei perdoar quem te mata?

A partir de certo ponto, eles não conseguem mais controlar a intensidade daquele sentimento, o que ocasiona crises de ciúmes, discussões

Mas o meu amor por Heathcliff é como as penedias que nos sustentam: podem não ser um deleite para os olhos, mas são imprescindíveis. Nelly, eu sou o Heathcliff. Ele está sempre, sempre no meu pensamento. Não por prazer, tal como eu não sou um prazer para mim própria, mas como parte de mim mesma, como eu própria”

Catherine Earnshaw sempre foi muito mimada, tendo tudo que quis na palma da mão. É bem alegre, atrevida, ousada, e muito egoísta e egocêntrica; mente sempre que lhe convém, para agradar os outros ou para conseguir o que quer; É excessivamente dramática em diversas situações; Sempre foi interessada em uma boa vida e isso sempre lhe impediu de se entregar antes para heathcliff. É difícil gostar dela, cheguei a odiá-la em maior parte dos momentos.

Nunca lhe confessei o meu amor com palavras,mas se os olhos falam,o último dos tolos poderia verificar que eu estava totalmente apaixonado.

Mr. Hindley (irmão de Catherine), mal humorado constantemente, bebe demais, abandonou sua carreira na magistratura

Edgar, rico, educado, muito bonito, sempre foi apaixonado por Catherine e, mesmo sabendo que ela amava heathcliff, tapou  os olhos, fingindo que não percebia que ela aceitou casar com ele principalmente por conta de todo luxo e conforto que receberia. Mesmo depois de um tempo, ele ignora o tipo de pessoa que é sua esposa

Isabella se submete

Heathcliff é um anti-herói e o personagem mais complexo de todos mas, com certeza, foi muito bem desenvolvido. Desde pequeno, quando adotado, já foi excluído por todos. Desperta sentimentos contraditórios, ora amor, ora ódio. É difícil de assimilar, mas, apesar da crueldade e de todos os sentimentos ruins presentes nele, fica difícil odiá-lo completamente. Foi isso que eu senti durante a leitura. Por maior que sejam as coisas ruins que ele faz, você ainda torce por ele, quer que ele seja feliz, quer que ele encontre a paz interior. 

Ellen Dean/Nellye é a empregada (que depois passou para governanta) que criou as crianças e o menino Harenton (filho do Sr Hindley) Essa personagem conta a história para o Percebemos que ela narra tudo com detalhes, o que prova que ela cuidava mais da vida alheia do que da própria.

Só consegui entender o nome de Catherine, junto com alguma expressão de amor ou sofrimento. E ele falava em tom baixo e grave, como se as palavras lhe viessem do fundo da alma.

Temos ainda Edgar e Isabella Linton, são irmãos que moram na Granja próximo da propriedade do Morro.

A escrita de Emily não é fácil, afinal, é de 1847, portanto, exige certa preparação para que se faça sua leitura. Se você está acostumado com livros atuais e nunca leu um clássico, terá um caminho difícil a percorrer, para que consiga entender a complexidade da obra. Com uma narrativa bem descritiva, do ponto de vista da observadora Ellen, nos permite imaginar todos os detalhes das situações, como se estivéssemos ali. Há também todo um mistério, uma aura sombria e forte dramaticidade presentes.

Emily Bronte escreveu essa história para mostrar as facetas obscuras do ser humano, nos apresentando literalmente, o lado feio em sua natureza nua e crua. É um livro muito rude e direto, em que vemos muito ódio, inveja, constante vingança, egoísmo, rancor, medo, angústia… esteja preparado para encarar todos estes sentimentos ruins. É um romance extremista, com personagens verdadeiros e palpáveis, porém fáceis de se odiar, mas esse é justamente o objetivo. Ao chegar no fim da leitura, consegui compreender as motivações de Catherine e Heathcliff e os perdoei por todos os feitos. Defendo ambos por isso.

Para mim, a leitura fluiu com muita fluidez, fui arrebatada e sugada para dentro deste ‘pesadelo’, só consegui largar depois de terminar.

SUPER RECOMENDO este livro, fiquei imensamente encantada com a genialidade da autora. Foi diferente de tudo que já li. Como já dito anteriormente, não é pra qualquer pessoa, é preciso ter paciência e maturidade para compreender toda a magnitude desta obra. 

Como posso viver sem minha vida? Como posso viver sem minha alma?

Saiba mais sobre a autora:

 

Foto -Emily Jane Brontë

Emily nasceu em Thornton, Yorkshire, a quinta dos seis filhos de Patrick Brontë e Maria Branwell, e irmã de Charlotte Brontë e Anne Brontë, também escritoras. Em 1820, sua família mudou-se para Haworth, onde o pai de Emily foi um curador, e nestes arredores o seu talento literário floreceu. Depois da morte de sua mãe, a austera tia Branwell foi morar com eles, e as crianças foram mandadas para um colégio interno em Cowan Bridge, onde sofriam castigos, alimentavam-se mal e não dormiam, devido ao frio. Duas das irmãs de Emily, Maria e Elizabeth, faleceram devido às condições do internato, e o pai resolveu levar as crianças, definitivamente, de volta para casa. Em casa, a nova empregada Thabitha (Taby) costumava contar-lhes histórias, e anos mais tarde Emily a homenageou como a fiel persona